CRISE IDENTITÁRIA
Se engana quem acha que a vida se resume facilmente em 'nascer, crescer, se reproduzir (às vezes) e morrer'. Não é um processo fácil, linear e sem obstáculos. Entre o primeiro e o último suspiro de nossas vidas, a gente gasta o maior tempão buscando respostas. Independente do momento, as perguntas geralmente se relacionam ao 'quem somos? ', ou seja, 'de onde viemos? ', 'qual o segredo da vida e da nossa própria felicidade? ', 'quando desapareceremos? '...
À medida que crescemos, mudamos de localização e começamos a enxergar através de ângulos diferenciados, muitas vezes, como telespectadores impotentes. Porém, mesmo nessas situações, as tentativas de 'buscar a si próprio' são sempre recorrentes. Vira e mexe você se pega questionando coisas que vão desde a cor do seu batom ('vão me olhar de forma estranha se eu usar vermelho? ') até o seu posicionamento político e ideológico ('eu realmente estou lutando do lado certo?'). E no meio dessa confusão toda-que é o tentar 'habituar-se'-, você já não sabe mais o que é seu ou o que lhe impuseram e, por insegurança, acabou sendo introjetado.
Assim como é comprovado para o Estado a sua existência através de documentações, ou ainda, do mesmo jeito que você se torna pertencente à determinada sociedade quando encontra elementos de identidade regional, cada pessoa passa a vida inteira buscando encontrar coisas dentro de si própria, as quais consigam por uma luz divina, indicar os caminhos para o auto reconhecimento. Trata-se sempre de uma peleja constante entre você e você mesmo...
Na maioria das vezes, as respostas não são obtidas, mas as perguntas precisam ser feitas e a nossa existência, problematizada. Entretanto, num trabalho de formiga operária, a cada novo dia a gente deve tentar resgatar uma parcela de nós-perdida por causa de um desejo incontrolável de se adequar-, dando espaço assim, para novos questionamentos, os quais, com sorte, serão substituídos e/ou superados paralelamente ao nosso crescimento e desprendimento. E depois de nascer, questionar, crescer, questionar e se reproduzir (às vezes), questionar e morrer (questionando...), bem-sucedido será quem conseguir se encontrar antes de partir.
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